Conflito de interesses impulsiona migração da assessoria para consultoria. O fee fixo é para todo mundo?

Até poucos anos, o assunto consultoria de investimentos vinha sempre acompanhado do questionamento se o investidor brasileiro estaria disposto a pagar pelo serviço com uma taxa fixa. Não é que antes o atendimento fosse gratuito, mas predomina no mercado o modelo de assessoria, em que a remuneração do especialista ocorre via comissionamento da venda de produtos e nem sempre fica clara para o cliente.
Mas hoje aquela dúvida sobre a viabilidade do modelo consultivo parece superada. O investidor amadureceu – por vontade ou por consequência dos episódios de conflitos de interesses, em que acabou empurrado para um investimento desencaixado de seu perfil de risco por um assessor incentivado pela comissão oferecida pelas distribuidoras. A norma CVM 179, que desde novembro de 2024 dá transparência a essas taxas, também acelerou o processo.
O mercado percebeu isso. O cliente estaria disposto a pagar uma taxa fixa pelo atendimento, o chamado fee-based ou fee fixo, desde que enxergasse valor no serviço.
Com a bandeira de atender melhor o investidor, casas que surgiram e cresceram como assessoria deram início a uma transição nos seus modelos. Primeiro, passaram a oferecer o serviço via taxas fixas. Depois, principalmente em 2025, foi a consultoria de investimentos que ganhou destaque.
“Está acontecendo uma migração para o modelo híbrido no que tange a cobrança, com grandes players, inclusive os bancos, oferecendo as duas opções. É o que deve ficar na estrutura do Brasil, semelhante ao que é nos Estados Unidos“, diz Cassio Bariani, sócio fundador da SmartBrain.
Com base nos seus dados internos, a SmartBrain estima que 20% das assessorias já tenham migrado para a consultoria ou para o modelo híbrido. O número de consultores certificados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) teve uma alta de magnitude semelhante, enquanto o número de agentes autônomos se manteve igual.
Fonte: https://einvestidor.estadao.com.br